Conversão dos sentidos na Quaresma
Continuamos com o itinerário da Quaresma proposto pela nossa Catequese.
O III Domingo conduziu-nos à abertura do gosto, através do encontro de Jesus com a Samaritana (Jo 4,5-42). A sede física ajuda a compreender uma sede mais profunda, aquela que habita o coração humano. Ao provar sabores diferentes, as crianças percebem que nem tudo o que agrada realmente sacia. Jesus apresenta-Se como a “água viva”, a única que mata a sede mais profunda. Os adolescentes refletem sobre aquilo que procuram: sucesso, aceitação, amor, atenção. O que verdadeiramente preenche o coração? O compromisso passa por abdicar de algo supérfluo, criando espaço interior para Deus.
No IV Domingo, com o relato do cego de nascença (Jo 9,1-41), somos chamados à abertura da visão. Ver não é apenas enxergar com os olhos, mas compreender com o coração. Ao experimentar a falta de visão, as crianças percebem a vulnerabilidade e a importância da confiança. Os adolescentes são desafiados a reconhecer que nem sempre vemos toda a verdade e que, muitas vezes, julgamos pelas aparências. Ver como Jesus vê implica ultrapassar preconceitos e olhar com misericórdia. O compromisso é simples, mas transformador: olhar com atenção para alguém que normalmente se ignora.
No V Domingo, diante da ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45), abre-se o sentido do tato. Jesus aproxima-Se, chama, toca a dor e devolve a vida. O toque transmite cuidado, proximidade, segurança. As crianças descobrem como o contacto cria confiança e ternura. Os adolescentes refletem sobre os gestos que hoje podem “ressuscitar” alguém: uma mensagem inesperada, um pedido de desculpa sincero, um abraço reconciliador. O desafio é realizar um gesto concreto de cuidado, tornando visível o amor de Deus.
Finalmente, na Semana Santa, com o encontro de Maria Madalena com o Ressuscitado (Jo 20,1-18), somos convidados à abertura do olfato, símbolo do perfume da esperança. Tal como um aroma permanece no ar, também o amor deixa marca. Ao sentir diferentes fragrâncias, as crianças compreendem que a presença se reconhece pelos sinais que deixa. Os adolescentes interrogam-se sobre o “cheiro” que espalham nos ambientes onde vivem: paz ou conflito? Alegria ou tristeza? O desejo é tornar-se “perfume de Cristo”, levando a esperança da Ressurreição a todos.
Assim, a Quaresma transforma-se numa caminhada sensível e concreta, onde cada sentido se torna caminho de encontro com Jesus. Ao abrir o coração, os ouvidos, o gosto, a visão, o tato e o olfato, aprendemos que Deus não está distante, mas fala-nos na vida real, convidando-nos a escolher o bem, a escutar, a confiar, a cuidar e a espalhar o perfume da esperança.