Mensagem do Patriarca de Lisboa para o Programa Pastoral 2026-2027


Mensagem do Patriarca de Lisboa para o Programa Pastoral 2026-2027
Mensagem do Patriarca de Lisboa para o Programa Pastoral 2026-2027

Queridos irmãos e irmãs do Patriarcado de Lisboa, 

1. Ao iniciarmos um novo ano pastoral, o Senhor volta a dirigir-nos uma palavra simples, mas decisiva: «Vinde e vede» (Jo 1, 39). É o convite que Jesus faz aos primeiros discípulos no Evangelho de São João. Eles procuram, interrogam-se, desejam compreender quem é verdadeiramente aquele Mestre que passa. Jesus não lhes responde com uma teoria nem com uma explicação abstrata. Convida-os a fazer uma experiência. Convida-os a caminhar com Ele. Convida-os a permanecer na sua presença. «Vinde e vede».

Esta palavra torna-se, para nós, luz e orientação no início de um novo percurso pastoral que queremos viver como Igreja diocesana. Ela inaugura também um caminho mais amplo, de sete anos, que nos conduzirá até aos 2000 anos da Redenção, guiados pela grande afirmação de Cristo: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6).

Não se trata apenas de um lema bíblico ou de uma organização temática dos anos pastorais. Trata-se de um verdadeiro itinerário espiritual, eclesial e missionário. Vivemos tempos marcados por rápidas mudanças culturais, sociais e espirituais. Muitas pessoas sentem-se desorientadas, cansadas, fragmentadas interiormente. Multiplicam-se os meios de comunicação, mas cresce a dificuldade de encontro verdadeiro; aumentam as possibilidades materiais, mas alarga-se a pobreza interior; fala-se muito de liberdade, mas tantas vezes falta um horizonte de sentido.

Neste contexto, a Igreja é chamada não apenas a conservar estruturas ou repetir linguagens do passado, mas a reencontrar continuamente a centralidade de Cristo. Só Ele é caminho para o coração humano. Só Ele revela plenamente o homem a si mesmo. Só Ele oferece aquela vida nova que nenhuma realidade do mundo pode substituir.

2. O primeiro biénio deste itinerário centrar-se-á precisamente na primeira parte da palavra de Jesus: «Eu sou o caminho». Antes de qualquer programa ou estratégia, o cristianismo é um caminho. Não é apenas um conjunto de ideias nem um sistema moral. É um encontro que transforma a existência e inaugura uma peregrinação interior.

O primeiro ano pastoral, que agora iniciamos, será dedicado aos (re)começos. Queremos olhar de forma particular para a iniciação cristã entendida no seu sentido mais amplo e profundo. Não apenas como preparação sacramental, mas como introdução progressiva na vida nova do Evangelho. Há muitos batizados que nunca chegaram verdadeiramente a encontrar-se com Cristo. Há outros que se afastaram, perderam referências ou vivem uma fé fragilizada. Há também tantos homens e mulheres que continuam a procurar, talvez sem o saber, uma luz para as suas vidas.

Por isso, este será um ano de convite, de acolhimento e de proximidade. Um ano para ajudar cada pessoa a descobrir novamente a beleza da fé cristã. Um ano para abrir caminhos de encontro com Deus.

3. «Vinde e vede». Estas palavras de Jesus revelam-nos algo essencial: a fé nasce sempre de uma experiência. André e João não ficaram apenas a ouvir falar de Jesus. Foram ver onde Ele morava. Permaneceram com Ele. A fé cristã não se transmite apenas por conceitos, mas sobretudo por testemunho, convivência e comunhão. Foi tão decisivo aquele encontro que o evangelista até anota: «Eram as quatro horas da tarde» (Jo 1, 39). Não aprenderam uma teoria, nem descobriram um código ético: encontraram-se com a pessoa de Jesus Cristo e nunca mais se esqueceram do momento em que isso aconteceu.

Hoje, talvez mais do que nunca, somos chamados a criar espaços onde seja possível fazer assim experiência de Deus. As nossas paróquias, comunidades, movimentos, grupos, famílias e obras eclesiais devem tornar-se lugares onde alguém possa encontrar um rosto acolhedor, uma palavra verdadeira, uma presença fraterna e, através disso, descobrir Cristo vivo.

A pastoral não pode reduzir-se a uma gestão de atividades. Evangelizar é introduzir na relação com Jesus. É ajudar cada pessoa a sentir-se olhada, amada e chamada por Deus.

4. Neste horizonte, torna-se particularmente importante redescobrir a dimensão missionária da Igreja. Não podemos esperar passivamente que as pessoas venham. O Evangelho mostra-nos sempre um Deus que toma a iniciativa, que vai ao encontro, que chama pelo nome. Também nós somos chamados a esta coragem missionária.

Precisamos de comunidades abertas, capazes de acolher perguntas, fragilidades e buscas. Precisamos de uma pastoral que saiba escutar, acompanhar e integrar. Precisamos de cristãos que não tenham medo de testemunhar a beleza da fé no meio do mundo.

Talvez uma das grandes pobrezas contemporâneas seja precisamente a falta de esperança. Muitas pessoas vivem sem horizonte, sem referências, sem uma razão profunda para caminhar. Ora, quem encontrou Cristo não pode guardar essa alegria apenas para si.

5. Este ano pastoral será também um apelo a redescobrir a beleza dos começos. Deus é sempre Deus de recomeços. A história da salvação mostra-nos continuamente um Senhor que não desiste da humanidade. Mesmo quando o homem se afasta, Deus continua a chamar. Mesmo quando tudo parece perdido, Deus abre caminhos novos.

Talvez muitos sintam hoje a necessidade de recomeçar: recomeçar a oração, recomeçar a vida sacramental, recomeçar a confiança, recomeçar relações feridas, recomeçar o caminho da fé. O Evangelho recorda-nos que nunca é tarde para voltar a Cristo. Nunca é tarde para começar de novo.

A Igreja deve ser sempre casa aberta para estes recomeços. Não lugar de condenação, mas espaço de misericórdia. Não fortaleza fechada, mas tenda aberta onde cada pessoa possa encontrar acolhimento e verdade.

6. O segundo ano deste primeiro biénio será dedicado ao alimento da fé, centrando-se particularmente na Eucaristia. Mas já neste primeiro ano somos convidados a compreender que não há caminho cristão sem permanência em Cristo. Não basta iniciar; é preciso alimentar continuamente a vida nova recebida.

Por isso, este percurso pastoral quer ajudar-nos a redescobrir o essencial da vida cristã: a oração, a Palavra de Deus, a vida sacramental, a comunhão e a caridade. Tudo nasce de Cristo e tudo conduz a Cristo.

Queridos diocesanos, o Senhor continua hoje a passar pelas margens da nossa vida e a repetir-nos: «Vinde e vede». Não tenhamos medo de responder. Não tenhamos medo de abrir o coração a Deus. Não tenhamos medo de recomeçar.

Peço às comunidades cristãs do Patriarcado de Lisboa que acolham este ano pastoral como oportunidade de renovação espiritual e missionária. Que ninguém fique à margem. Que cada paróquia se torne lugar de encontro, cada família escola de fé, cada cristão testemunha de esperança.

Confiamos este caminho à intercessão da Virgem Maria. Ela, que soube acolher plenamente o convite de Deus, acompanhe o nosso Patriarcado neste novo tempo pastoral. Que Nossa Senhora nos ensine a caminhar com Cristo, a permanecer com Cristo e a levar Cristo ao coração do mundo.

Descarregue aqui o PROGRAMA E CALENDÁRIO PASTORAL 2026-2027, que tem como lema ‘Vinde e Vede’ (Jo 1, 39).

https://www.patriarcado-lisboa.pt/site/docs/2026199programa_2026-27.pdf

Fonte: Site do Patriarcado de Lisboa

Data de publicação: Publicado em


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